COTIDIANO
Ativistas invadem sede do antigo DOPS de BH Contra a Anistia e pela criação do Museu dos Direitos Humanos e Memória das Vítimas da Ditadura Militar.
Quarta, 02 de abril de 2025 ( Atualizada em 02/04/2025 às 14:16)

Movimentos sociais ocuparam, durante a madrugada desta terça-feira (1º), a sede do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na Avenida Afonso, em Belo Horizonte. O edifício abrigou um dos principais centros de repressão da ditadura militar, entre 1964 e 1985.
Os manifestantes participaram do protesto para exigir que o prédio, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) em 2016, seja transformado no Memorial dos Direitos Humanos Casa da Liberdade.
O projeto foi lançado pelo governo do estado, em 2018, para homenagear os mortos, desaparecidos e presos políticos que lutaram contra o regime ditatorial, mas não foi concluído.
Segundo os organizadores do ato "Ditadura, nunca mais", as reivindicações são:
- Imediata abertura do Memorial dos Direitos Humanos.
- Destinação de recursos para a conclusão das obras.
- Inclusão dos movimentos sociais na gestão do espaço até a abertura definitiva do memorial.
- Punição dos torturadores da ditadura e prisão imediata dos golpistas do 8 de janeiro.
- Defesa da memória dos mortos e desaparecidos da ditadura.
"Estamos aqui para exigir que o governo de Minas Gerais libere a verba necessária para que o Memorial dos Direitos Humanos seja finalmente inaugurado! Honrar a memória dos que tombaram na luta contra a ditadura não é apenas recordar o passado, mas manter viva a chama da resistência", afirmou Renato Campos, um dos manifestantes.
O antigo prédio do Dops foi projetado pelo arquiteto Hélio Ferreira Pinto, em 1958, com uma fachada vinculada ao modernismo. Composto por quatro andares, o primeiro deles, semienterrado, abriga as celas de carceragem para onde os opositores do regime eram levados e torturados.
Segundo o Iepha, o tombamento do edifício, em 2016, foi proposto no contexto da preservação da memória das violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura e do reconhecimento pelo estado de Minas Gerais do valor histórico de documentos e lugares relacionados à atuação da polícia política.
Em 2018, sob a gestão de Fernando Pimentel (PT), o governo do estado lançou o projeto do Memorial dos Direitos Humanos Casa Liberdade. À época, uma reportagem da TV Globo mostrou uma visita guiada ao espaço, que já estava com as obras em processo de licitação.
Fonte G1