TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
8 em cada 10 executivos esperam que IA aumente receita das empresas até 2030, diz IBM
Levantamento mostra que tecnologia deixa de ser apenas ferramenta para corte de gastos e passa a focar em inovação; especialista alerta que produtividade virou ‘commodity’ no mercado
Tuesday, 24 de March de 2026
Tiago Prado, conselheiro estratégico de empresários brasileiros no exterior
Um levantamento apurado pelo escritório global International Business Machines Corporation (IBM) mostra que 79% dos executivos acreditam que a inteligência artificial (IA) será responsável por impulsionar a receita de suas empresas até 2030. Hoje, esse percentual é de 40%, o que indica uma mudança no mercado executivo na forma como a tecnologia vem sendo incorporada às estratégias de negócios.
O estudo aponta que a IA começa a deixar de ser utilizada apenas para ganho de eficiência operacional e passa a ocupar um papel mais estratégico dentro das organizações. A expectativa é que, ao longo da década, a tecnologia se consolide como um dos principais motores de crescimento dos negócios.
“Na era da IA, produtividade virou commodity. O que passa a valer mais é o controle sobre a marca, a distribuição, os dados e também o relacionamento com o cliente”, afirma o conselheiro estratégico de empresários brasileiros no exterior Tiago Prado.
O estudo aponta ainda um descompasso importante entre expectativa e preparo. Embora a maior parte dos executivos espere crescimento de receita com IA, poucos ainda têm clareza sobre de onde esse resultado virá. Ao mesmo tempo, persiste o receio de que iniciativas fracassem por falta de integração com o negócio principal.
Esse é um ponto decisivo. A IA tende a gerar mais valor quando deixa de operar de forma isolada e passa a se conectar à estratégia da empresa, aos fluxos de trabalho e às decisões das lideranças. Sem essa integração, o risco é acumular projetos pontuais, mas sem impacto consistente em competitividade.
O estudo também sugere uma mudança relevante na destinação dos recursos. Hoje, quase metade dos gastos com IA está voltada à eficiência. Até 2030, a expectativa é que a maior parte dos investimentos esteja direcionada à inovação. Isso indica que as empresas querem usar a tecnologia não apenas para fazer melhor o que já fazem, mas para criar novas capacidades, novos produtos e novos modelos de atuação.
Para Tiago Prado, o otimismo dos executivos com a eficiência esconde uma armadilha. Ele argumenta que há um equívoco comum ao enxergar a IA apenas como uma ferramenta para fazer mais rápido e com menos gente. Segundo o conselheiro, se todos executivos passam a usar a IA para ser eficiente, a eficiência deixa de ser um diferencial e vira o básico, ou seja, o ‘piso’ do mercado.
"A IA pode até aumentar a produtividade, mas isso não significa que aumentará a rentabilidade de todos. Em muitos casos, pode acontecer o contrário. Neste caso, quando a execução técnica se torna barata e fácil para todos, a concorrência aumenta. Se todos produzem mais rápido e mais barato, o preço do produto tende a cair. Enquanto isso, se o preço cai porque ficou fácil fazer, a sua margem de lucro diminui, a menos que você tenha algo que a IA não consegue copiar”, alerta o especialista.
Ele afirma que na nova economia, o esforço humano e a execução técnica perdem peso para o controle. “Enquanto a execução se torna abundante e barata, o valor migra para o topo da cadeia, concentrando-se em ativos que a tecnologia não consegue replicar facilmente”, avalia.
Para o especialista, a lógica da lucratividade mudou: o mercado deixou de premiar a execução operacional para valorizar a capacidade de orquestração. Em um cenário onde produzir ficou fácil, o valor migrou do 'fazer' para o 'direcionar'. O que permanece raro e, por isso, mais caro são estes pilares:
- controle sobre a marca e reputação;
- domínio dos canais de distribuição e venda;
- propriedade de dados organizados;
- E gestão direta do relacionamento e da confiança do cliente.
Tiago Prado orienta que o empresário precisa trocar a pergunta que guia o seu negócio. Ele afirma que o segredo não é mais apenas vender mais ou ser o mais rápido. “Em um mundo onde a tecnologia tornou a produção barata e acessível, o verdadeiro desafio para os próximos anos é outro: o que continua sendo essencial e raro quando todo o resto se torna comum?", indaga. E mais: “O vencedor não será necessariamente o mais 'tech', mas o que conseguir traduzir tecnologia em vantagem operacional e melhor posicionamento”, conclui.