Sunday, 07 de June de 2026
(*) Luiz Alves Lopes
Para início de conversa, tomando por base o Estado de Minas Gerais, em passado já distante, as três grandes forças do futebol se tornaram famosas e tradicionais por suas praças esportivas, sintetizadas pelo Barro Preto, Alameda e Lourdes. Estadinhos que desapareceram e onde ricas páginas de nosso futebol foram escritas.
Como acréscimos, os campos do Sete de Setembro, do Siderúrgica, do Renascença, do Alçapão do Bonfim, do Democrata de Sete Lagoas, do Venda Nova, do Santa Tereza, do Pedro Leopoldo, do Meridional, do Asas e de inúmeros outros ao redor da capital do Estado acresceram algumas páginas não menos ricas.
Tempos em que Wilson de Oliveira, Zé das Camisas, Biju, Crispim, Barbatana e um grandioso número de apaixonados pelo esporte das multidões, no silêncio e até mesmo no anonimato, se dedicavam à árdua missão de “fabricarem” craques ´para o futebol. E o fizeram com sabedoria, humildade e competência.
Não menos verdade que em cidades outras do Estado, já mais distantes da capital, figuras carismáticas, folclóricas, idealistas e sonhadoras, também se dedicaram, apito à boca e em um modesto campinho de terra batida na maioria das vezes, à meritória tarefa de burilar craques em partes de um país que um dia teve o melhor futebol do mundo. Hoje, não mais.
Tempos em que se corrigia ou podia fazê-lo. Tempos do faz de tudo: treineiro, preparador físico, psicólogo, massagista, incentivador aos estudos e profissionalização, enfim, na informalidade, um apaixonado pela arte e uma vontade danada de ver um de seus pupilos a caminho de uma das grandes equipes de nosso futebol, não importando qual delas.
Tempos em que se falava e se ensinavam fundamentos mínimos do futebol. Tempos em que se ensinava e se discutia as regras do futebol. Tempos em que ainda se podia conciliar estudo com a prática de futebol, educando-se minimamente. Tempos em que um “bom dia” ou uma “boa tarde” se faziam presentes de forma natural.
Tempos de uma preparação física tradicional, daquela ministrada por Paulo Amaral com polichinelo e tudo; tempos de um Telê Santana repetindo e ensaiando à exaustão determinadas jogadas; tempos de longas conversas com orientações básicas, comuns, corriqueiras; tempos em que se tinha tempo suficiente para todo o tipo de treinamento.
Tempos de um mister João Rosa, de um Jaime dos Santos, de um Tio Guiné, de um Weliton Kolinos Prates, de um Natalino Monteiro, de um Pelezinho da Pastoril, de um Clementino Cadete, de um Velho Euclides, de um Wilson “delegado” calça curta; tempos de muita gente anônima que se dedicava a “ensinar” futebol e suas manias aos jovens e não jovens.
Mudanças bruscas e impensáveis ocorreram. O futebol se embruteceu. Virou ‘negócio’. Empresários, patrocinadores, negociantes, interesseiros, atravessadores, enfim uma parafernália de acontecimentos que deixaram o verdadeiro futebol e atos preparatórios para plano secundário.
O atleta X deixou de comparecer ao treinamento ou dele se ausentou mais cedo em decorrência de compromissos já assumidos... pode? 0 atleta Y estará fora dos treinamentos em decorrência de outros compromissos contratuais.... pode? O atleta Z estará ausente dos treinamentos em decorrência de compromissos do próprio clube, constante de contrato publicitário ... pode?
Resultado tristonho: partidas de futebol sofríveis, de baixo nível técnico e onde impera a indisciplina, a falta de conhecimento mínimo das regras, baixa qualificação técnica, cometimento de faltas bisonhas e rendimentos horrorosos.
Como desgraça pouco é bobagem, temos uma mídia insuportável raríssimas exceções e desgraçadamente o surgimento de bandos de malfeitores que se escondem sob o rótulo de torcidas organizadas, mas que de organizadas nada têm. Pobre futebol.
SAUDADE palavra triste quando se perde ....; saudade do futebol das origens, do futebol bem jogado, do futebol do respeito, do futebol que encantava. Porém, seus mandatários atuais encurtaram a duração de cada dia, dele suprimindo as horas necessárias para a preparação adequada, em especial no trabalho que era feito na base. Tem jeito não Boliva
(*) Ex atleta
N.B. l – Virou moda no futebol brasileiro expulsões de futebolistas famosos por mostrarem as “laranjas” para torcedores e adversários. A moda está pegando. Urgem punições exemplares.
N.B.2 – Como tem gente tida e havida como boa torcendo contra Carlo Ancelotti. Profissional sério, educado, competente e vencedor como poucos. Ainda que Italiano, certamente não terá a capacidade de fazer milagres. Oxalá que os Deuses do futebol estejam a seu lado.